Potencial econômico do Mogno Africano

O Mogno Africano é um dos investimentos de destaque na área florestal, principalmente devido a sua alta rentabilidade e menor tempo de cultivo se comparado às demais espécies de madeira nobre. Neste artigo, explicaremos detalhadamente o que justifica o potencial econômico do gênero Khaya e os motivos que levaram essas espécies a alcançar cada vez mais espaço no Brasil e no mundo.

Origem e utilidade do Mogno Africano

O Mogno Africano pertence ao gênero Khaya, da família Meliaceae. Portanto, o nome popular  “Mogno Africano” não se refere a uma única espécie, mas sim a um importante grupo de espécies originárias de várias regiões africanas e que apresentam usabilidade elevada no setor madeireiro. Existem quatro espécies desse gênero com grande demanda de mercado e interesse mundial, sendo elas: Khaya anthotheca, Khaya grandifoliola, Khaya ivorensis e Khaya senegalensis

A madeira nativa oriunda das espécies de Mogno Africano é reconhecida como nobre. Além disso, essa é a principal substituta da madeira do Mogno Brasileiro (Swietenia macrophylla), que infelizmente está na lista oficial de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção. Entre as suas principais aplicações se destacam a fabricação de móveis de luxo, adornos, entalhes, instrumentos musicais, faqueados, laminados, construção civil e naval, além de revestimentos internos e decorativos em várias partes do mundo.

Mogno Africano no Brasil

No Brasil, os cultivos de Mogno Africano têm apresentado um crescimento significativo nos últimos anos. Segundo a Embrapa Florestas, estima-se que a área plantada em território nacional já tenha ultrapassado 37 mil hectares em 2018, o que torna o Brasil, muito provavelmente, o maior plantador desse gênero, seguido da Austrália com 14 mil hectares. Entretanto, a maioria dos plantios brasileiros ainda não alcançou a idade final de corte (em torno de 20 anos), nem escala de produção elevada. Por enquanto, a maior parte da madeira comercializada nacionalmente ainda é originária de desbastes intermediários, ou seja, árvores juvenis.

Conforme as árvores chegam à idade final de corte, obtém-se toras de maior diâmetro, adequadas à produção de serrados/laminados e que possuem maior valor agregado. Com preços que podem chegar a 1.000 euros/ m3 (serrado) no mercado internacional, o plantio de Mogno Africano consiste em uma alternativa viável para diversificação da atividade agrícola, com geração de renda e benefícios ambientais importantes.

Ecologicamente Correto

A acentuada exploração de espécies florestais nativas que vêm acontecendo no decorrer das últimas décadas provocou uma redução significativa na variedade de madeiras nobres dos países tropicais e subtropicais, em especial no Hemisfério Sul. No Brasil, as taxas de desmatamento na região Amazônica aumentaram dramaticamente desde a década de 90 e, neste cenário, os plantios de reflorestamento comercial têm se mostrado uma solução econômica e ambiental para abastecer o mercado de forma racional e com madeira controlada. 

Por se tratar de madeira nobre, com comércio global estabelecido há séculos, e por serem espécies classificadas como vulneráveis à extinção em seus locais de origem na África, os plantios de Khaya em países tropicais são de extrema importância para atender ao mercado consumidor. 

No Brasil, o Mogno Africano vem ganhando espaço como alternativa de madeira nobre para atender ao mercado futuro, favorecendo a conservação de florestas naturais e do Mogno nativo. O ciclo de crescimento relativamente rápido das espécies de Khaya também possibilitam a recuperação de áreas degradadas e de serviços ambientais. Além disso, o Mogno Africano apresenta resistência à broca-do-ponteiro (Hypsipyla grandella), uma vantagem técnica e econômica em relação ao Mogno Brasileiro, que é muito suscetível.

No Brasil, os plantios mais comuns são realizados em sistemas monoculturais, focados essencialmente na produção madeireira. Entretanto, destaca-se o seu potencial emprego em Sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) e Sistemas Agro-florestais (SAFs), pois suas características favorecem a criação de gado e o cultivo de diversas outras culturas como café, cacau, castanha e diversas outras espécies. O uso do Mogno Africano nesses sistemas contribui para a diversificação de renda do produtor rural, além da geração de serviços ambientais como o sombreamento de animais e de estratos vegetativos secundários, com consequente regulação térmica do ambiente e outros benefícios ligados à melhoria da qualidade do solo e da água.

Características e Produtos 

Dentre as características mais atraentes da madeira oriunda do Mogno Africano podemos destacar sua cor marrom-rosada a escura e suas propriedades físicas de fácil trabalhabilidade, o que a torna muito desejada para a confecção de móveis de luxo. A madeira de K. ivorensis é muito semelhante à madeira de K. anthotheca e K. senegalensis, e conjuntamente à madeira de K. grandifoliola, são muito apreciadas e requisitadas globalmente, por isso são exportadas em consignações mistas da África Ocidental como “Mogno Africano” ou “Acajou d’Afrique”.

O Mogno Branco (K. anthotheca), possui uma madeira que é muito utilizada na fabricação de móveis, pisos, painéis e construção de barcos e canoas. É muito utilizada no setor moveleiro na região de Ruvuma, Tanzânia. Sua madeira apresenta uma grã muito bonita e é usada na fabricação de móveis de alto padrão, incluindo a produção de lâminas e qualquer aplicação em que seja necessária uma madeira de boa qualidade e de peso mediano.

O Mogno da Folha Grande (K. grandifoliola), possui uma madeira valorizada para carpintaria, marcenaria, móveis e laminação decorativa. Também é utilizada em construção leve, piso leve, acabamento interno, construção naval, instrumentos musicais, brinquedos, artesanatos, entalhes, torneados e madeira para celulose. Tradicionalmente, a madeira dessa espécie é também usada para utensílios domésticos e canoas escavadas, além de lenha e produção de carvão vegetal. 

O Mogno Vermelho (K. ivorensis), é utilizado nas mais variadas vertentes, desde movelaria a pequenos objetos e lâminas, sendo também comumente utilizado em estruturas de janelas, painéis, escadas e portas. É empregado tanto em construções leves como pisos, até construção pesadas como a naval, carrocerias de veículos, dentre outros. 

O Mogno Senegalense (K. senegalensis) é indicado para produção de assoalho e construção leve, sendo muito similar à madeira de Khaya ivorensis. Também pode servir para carpintaria, marcenaria, móveis, construção naval e lâminas decorativas. Além disso, a espécie leva uma pequena vantagem em termos de propriedades físico-mecânicas da madeira, talvez por apresentar maiores valores de densidade, em relação às demais espécies.

Expectativas do Mercado

O setor de florestas comerciais vêm se desenvolvendo rapidamente nas últimas décadas e o Brasil já ocupa um lugar de destaque, tendo realizado notáveis avanços em pesquisa, tecnologia e inovação na silvicultura e no melhoramento de espécies nativas e exóticas. Nossa área de florestas plantadas aumentou cerca de 64% desde 1990, enquanto que nos parâmetros globais a área florestal diminuiu cerca de 3%. Segundo a Food Agricultural Organization (FAO), nesse mesmo período (1990 a 2017), a demanda por madeira em tora para inúmeros fins industriais aumentou 37% em todo o mundo. Dados como esses destacam a extrema importância dos plantios para o atendimento às demandas do mercado por produtos florestais.

A expectativa atual é de que o setor cresça consideravelmente, principalmente em vista de investimentos de capital estrangeiro com interesse em fomentar a produção de madeira certificada e com baixa pegada de carbono. Sendo assim, a inserção do Mogno Africano de origem brasileira no mercado madeireiro internacional já é esperada com boas expectativas. 

Os estudos conduzidos por diferentes grupos de pesquisa, incluindo a Embrapa, verificaram a viabilidade econômica de plantios de Mogno Africano no Brasil e a alta segurança financeira do investimento, com probabilidade de insucesso próxima a zero. O Mogno Africano se demonstrou ótima opção e, desde que seja planejado e conduzido com o devido manejo, pode oferecer uma taxa interna de retorno acima de 12%, muito superior à grande parte dos ativos disponíveis no mercado.  

Considerações Finais

Já são conhecidos os fatores que comprovam a importância ambiental de plantios florestais e os benefícios econômicos diretamente ligados ao desenvolvimento dos territórios. Ao se considerar estes aspectos, é possível afirmar que florestas plantadas são indispensáveis para o desenvolvimento sustentável e o progresso da sociedade como um todo. 

O incentivo aos negócios florestais fará com que estes sejam protagonistas de impactos socioambientais positivos, em um modelo onde os empreendedores, a sociedade e o planeta obtêm ganhos contínuos e permanentes para as futuras gerações. Nesse sentido, o setor pode se beneficiar ainda mais com a participação social, a transparência e a rastreabilidade, colocando em evidência os empreendimentos que executam o manejo florestal responsável a fim de que o comprador ou consumidor final possa optar pelo produto certificado.

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